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Esse blog tem como objetivo mostrar e documentar o trabalho realizado na disciplina Identidade e Cultura da UFABC com o tema "É o Saci Urbano".

Relatório de Atividade Cultural – Fórum de Hip Hop de São Bernardo do Campo

Escolha do tema: Como complementação das atividades da disciplina Identidade e Cultura, nos foi solicitado que fôssemos a algum evento de manifestação cultural. Sendo assim, optamos por escolher um evento ligado ao nosso tema. Assim, através das redes sociais, tomamos conhecimento do encontro do Sarau do Fórum de Hip Hop de São Bernardo do Campo (Sarau do Fórum), evento cultural que ocorre todas as últimas quintas-feiras de cada mês, ocorrendo de forma aberta ao público e aos interessados em expor sua opinião e arte, seja através do grafitti, quadros, música ou poesia.

Ida: Pela programação, o evento começaria por volta das 19:00 hrs. Infelizmente, em horário letivo, só poderíamos participar um pouco depois do início da aula de Teorias da Justiça e o Jorge que não tem a primeira aula nos aguardava e partimos por voltas das 20:00 hrs até o evento. A localização do evento era próxima ao prédio do campus Sigma, na rua Jurubatuba Nº 1610, região central de São Bernardo do campo, área comercial do município. Então por ser próximo decidimos ir a pé mesmo.

Uma vez lá:

O local era composto por uma quadra e algumas salas. Logo ao entrar, já se via embalada pelo vento uma enorme faixa com os dizeres: “Em prol da vida”. Ela logo nos remetia a uma grande vela a conduzir o evento.  Na quadra se encontrava o palco, juntamente com diversas cadeiras e, num espaço junto às salas, se realizava uma exposição, com obras de diversos artistas.

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O local é bem amplo e extremamente acolhedor. Fomos muito bem recebidos no local, principalmente pelos organizadores do evento. Ao lado se encontrava um pequeno bar, no qual os frequentadores poderiam consumir diversas bebidas e com algumas opções de salgados.  Fomos logo apresentados a um dos principais articuladores do evento e mestre de cerimônias,  Michel, através de um velho conhecido dono de um estabelecimento que frequentamos. Michel nos relatou que o evento ocorre a cerca de três anos, todas as últimas quinta-feiras do mês. O coletivo é composto principalmente por artistas urbanos, envolvidos com as artes em geral,  principalmente com o grafitti e o hip hop. Seus frequentadores, de todas as faixas etárias, eram em sua maioria, adeptos desses movimentos urbanos, todos trajando roupas mais despojadas e num clima muito fraternal e familiar. Tivemos o prazer também de nos encontrar com a professora Soraia Oliveira Costa, que nos deu uma aula dentro da própria disciplina expondo o documentário “Neblina sobre trilhos” e os problemas existentes em Paranapiacaba.

Assim que chegamos, o evento parecia ter acabado de começar e presenciamos a introdução realizada por Michel, como mostra o vídeo abaixo:

O que mais nos tocou em sua apresentação, foi a imagem pejorativa do negro perante a polícia, a figura do “isca de polícia“. Logo um dos membros do grupo, Jorge, lembrou que uma das bandas que acompanhou o artista Itamar Assumpção, um grande defensor da cultura afro-descendente, se chamava justamente Isca de polícia. A arte de Itamar Assumpção é extremamente sensível no que diz respeito aos movimentos populares da cultura negra, como por exemplo na música “Vá cuidar da sua vida“, no qual ele critica o fato de movimentos da cultura negra, que em outra época foram extremamente marginalizados, a exemplo da capoeira, foram de uma certa maneira elitizados, deixando de ser um elemento exclusivo de sua cultura de origem. Isso nos demonstra que o coletivo se empenha em defender a cultura das minorias, que até hoje são marginalizadas, como o grafitti, que apesar de também passar por um processo de elitização, não se desvincula de sua base popular, ou seja, a sua identidade nata. Diana e Paula lembraram também da lembrança que o próprio artista do Saci Urbano faz do músico Itamar Assumpção.

Destacamos a participação das bandas presentes, Avante Coletivo, grupo de rap com letras intensas e marcantes e Coligação Z.E.M, banda com uma vasta mescla de estilos musicais, passando do rock, samba-rock ao reggae. Ambas as apresentações eram compostas por uma excelente atuação de seus músicos e letras de crítica social. É claro que não passamos em branco e adquirimos o CD de cada uma delas.

Dentre todas as poesias expostas ali, as mais marcantes foram uma do qual o poeta lembrava do seu tempo de infância e critica o fato de hoje em dias, as crianças ficarem apenas na frente do computador, em vista de que em sua geração, o legal era soltar pipa. Três delas eram relacionadas a identidade feminina, sendo a mais marcante a exposta pela poetisa Izadora Zoe, colocando em pauta a liberdade feminina frente ao machismo.

Relação com Identidade e Cultura:

Percebemos tanto nesse evento Fórum do Hip Hop, como em nosso trabalho de campo sobre intervenções urbanas Atrás do Saci Urbano, que a arte urbana vem tomando um espaço cada vez maior na identidade das nossas cidades e no nosso cotidiano, são parte de onde vivemos, marcam e expressam arte nos nossos muros e em nossas ruas. A existência desse evento nos mostra o espaço que essa cultura urbana conquista a cada dia. Essa capacidade de produzir essa “dualidade de mundo”, configurando-se uma oposição à cultura oficial, com cunho erudito por conceitos de Bakhtin, mostra essa fusão de cultura popular com erudita, juntar exposições de arte que são comuns na cultura erudita com hip hop – cultura popular da periferia e fazer um sarau no Fórum de hip hop e grafitti é mostrar o quão ligadas essas culturas estão, mais do que entender a diferença das mesmas, temos que ver o cruzamento delas, a construção da cultura e identidade que envolve a marca de todas as pessoas na sociedade.

Volta:

Infelizmente, pelo fato do evento ocorrer numa quinta-feira, nos impossibilitou de ficar até seu término, visto que todos tinham que trabalhar no dia seguinte, menos a Paula, mas dado a distância de onde ela mora, ficaria tarde para ela também. Deixamos o local minutos antes do encerramento, por voltas das 22:45, todos extremamente extasiados!

Sensações no dia seguinte:

Muitos de nós, que em tempos passados eram frequentadores assíduos de sarais, como o Jorge, ficaram com a certeza de voltar e prestigiar novamente este evento tão enriquecedor, tanto culturalmente quanto pessoalmente. Para os interessados, não perca tempo! Vá! O resultado da experiência é único.

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Saci das Crianças

Com a publicação do livro O Saci, Monteiro Lobato e outros autores fizeram do nosso personagem uma figura heróica das histórias infantis.

O Saci desses autores ainda apresenta uma origem desconhecida, possui más e boas ações, é astuto e bobo e tem poderes mágicos.

Dentro da pesquisa, incluindo entrevista com o artista do Saci Urbano e fazendo estudos, percebe-se que com todos os estudos das possíveis origens do Saci, alguns aspectos foram apagados, editados. Com a atuação da mídia na personagem, o Saci foi editado, aspectos como ser rebelde, perturbador, ter forte odor de enxofre, não estar imune ao cativeiro e temer símbolos cristãos foram sendo apagados do ser Saci moleque para que ele tenha essa imagem cativante tanto para às pessoas, mas principalmente para as crianças.

Pode-se perceber isso no Sítio do Pica pau Amarelo e em diversas edições, livros e séries sobre o Saci.

Não se pode dizer que essa adaptação do mito para às crianças é ruim, isso fez com que o Saci se difundisse para todos os cantos do Brasil, porém é preciso entender e não se perder as raízes desse mito que é parte da formação da nossa cultura brasileira.

Ao fazer esse trabalho, registramos um vídeo do sobrinho da Diana, Felipe, cantando uma cantiga antiga sobre o Saci Pererê, e colocaremos também uma música escrita por Ziraldo que ilustra bem como é esse Saci Pererê das crianças.

Referências:

QUEIROZ, Renato da Silva, “Migração e Metamorfose de um mito brasileiro: O Saci,trickster da cultura caipira”, in Rev. Inst. Est. Bras., São Paulo, p. 38:141-148, 1995

LOBATO, Monteiro. O Saci. São Paulo: Editora Brasiliense S.A. sem/data.

A Hora-ação do Saci

http://eosaciurbano.art.br/eo/oracao-saci-urbano/

Só para constar… Muito bom!

O êxodo rural do Saci em resposta à polarização cultural

Como poderíamos tentar definir o significado da figura do saci? Uma das respostas possíveis seria que este é um dos poucos personagens míticos brasileiros que sobreviveram a tentativas elitistas em polarizar a cultura como popular e erudito. Um ponto em comum entre o Saci e a polarização é que ambos nasceram na segunda metade do século XVIII. As elites européias, de acordo com DOMINGUES, Petronio (pág. 02), “demarcaram a fronteira das manifestações culturais das camadas sociais abastadas em relação àquelas mais amplamente difundidas.”

E o Saci? Com uma perna só, seu característico cachimbo na boca e com a aparência física de uma criança de 7 anos tornou-se uma espécie de anti-herói nacional, assim como o personagem Macunaíma de “uma rapsódia escrita em 6 dias”. O personagem de Mário de Andrade foi apresentado em 1928. Uma das diferenças entre os dois heróis é que uma teve criação elitista, justamente em uma tentativa de incursão aos mitos tipicamente brasileiros. O Saci, ser zombeteiro, malandro e, muitas vezes, considerado maldoso, foi uma criação da região meridional do Brasil e é doutor honoris causa em sobreviver, com a malandragem do “moleque”. As influências genéticas são as mais variadas: portuguesa, tupi-guarani e africana.

No final da primeira década do século XXI, a figura do saci se urbaniza, preocupada com causas sociais, uma visão política de esquerda e a mesma malandragem, zombeteria que o mantiveram vivo por tanto tempo. Com a manifestação de um artista de Mauá, que trabalha na área de Comunicação Social, nascido na Unidade Federativa mãe do Brasil (mesma cidade que o Jorge frequenta e possui amigos), O Saci Urbano toma forma nos muros e viadutos das cidades do Grande ABC na forma de graffiti. A palavra “graffiti” tem origem do latim e significa “carvão”. A arte do graffiti, inicialmente, tinha como objetivo “escrever com o carvão” para expressar o desapontamento da população local com o governo. Hoje em dia, representa-se em várias cores espalhadas pela selva de concreto.

Sempre aos moldes do Saci, o artista modifica o espaço urbano com uma representação de apelos sociais, representado pela irreverência, o característico cachimbo, o chapéu vermelho e em uma perna só, sempre com críticas direcionadas aos agentes políticos nas esferas federais, estaduais e municipais. Chama a atenção da população do ABC com a inserção deste personagem nos mais variados lugares. No livro de campo do grupo, foram constatadas 13 aparições no total, sendo distribuídas por Ribeirão Pires, Santo André, São Bernardo do Campo e Mauá, das mais diferentes maneiras e adequados ao espaço geográfico de uma forma bem humorada.

A conexão do contexto do graffiti e a figura do Saci Urbano com a identidade de um povo se configura, em primeiro lugar, de ter nascido com as características da população local, com a miscelânea étnica e a adaptação ao meio rural, principal concentração populacional do Brasil no século XVIII. Em seguida, a questão da adaptação ao espaço que se configura atualmente, com o êxodo rural ocorrido na década de 1950 em diante. Hoje, o país possui cerca de 84% da população urbana e o Saci adaptou-se aos meios urbanos para continuar com suas aparições irreverentes e adequadas geograficamente.

Bibliografia

DOMINGUES, Petrônio, “Cultura popular: as construções de um conceito na produção historiográfica” História (São Paulo) v.30, n.2, p. 401-419, ago/dez 2011

QUEIROZ, Renato da Silva, “Migração e Metamorfose de um mito brasileiro: O Saci, trickster da cultura caipira”, in Rev. Inst. Est. Bras., São Paulo, p. 38:141-148, 1995

FAUSTO, Boris in “História do Brasil”, São Paulo: Edusp, 2012, 14ª Edição.

Trabalho de Campo

Feriado? Que nada, fomos nas ruas fazer trabalho de campo para entender melhor a cultura e arte urbana do grafitti e ir atrás dos Sacis Urbanos espalhados pelo ABC.

Nosso ponto de encontro foi na estação Prefeito Celso Daniel por volta das 13h30.

Começamos pela Av. Quinze de Novembro no Centro de Sto. André no Viaduto de Pedestres perto da escola Américo Brasiliense, seguimos pela avenida até onde ela cruza com a Av. D. Pedro II, fotografamos no Viaduto ACISA.

Seguimos para a Praça IV Centenário, atravessamos a Av. Portugal e seguimos até a Av. Ramiro Colleoni na altura da ETE Júlio de Mesquita no Viaduto Angelo Gaiarsa.

Fizemos o caminho de volta, fomos até a Av. D. Pedro II para tirar mais fotos de 2 Sacis, seguimos para a estação novamente, para tentar registrar os Sacis na linha do trem da estação Capuava para Mauá, fotogramos mais um Saci na estação de Mauá e alguns grafittis.

Na volta para São Caetano, a Diana e a Paula tentaram registrar um Saci na linha do trem de Utinga para São Caetano e depois cada um registrou em seus respectivos caminhos em suas cidades. Everson registrou grafittis e artes do Saci Urbano em Ribeirão Pires e Mauá.

Em São Caetano na Rua Piratininga, na Rua São Paulo e Rua Amazonas.

Aqui segue um mapa do nosso trajeto, apenas em Santo André:

Mapa Trabalho de Campo

E conseguimos pelo Google Maps, com a imagem de Satélite registrar um Saci na Av. D. Pedro II:

imagem mapa saci

Vídeo sobre grafite, filmagem no muro da Av. Ramiro Colleoni, em Santo André na altura da ETEC Júlio de Mesquita:

Música: Não existe amor em SP – Criolo

Vídeo com as artes do Saci Urbano no ABC, nas cidades de São Caetano, Mauá, Santo André, Ribeirão Pires e algumas artes disponibilizadas no blog do Saci Urbano:

Música: Moleque Saci Pererê

Atrás do Grafitti

Por incrível que pareça quando estamos fazendo um trabalho, o universo conspira a favor né?

A Diana foi a um evento de arte e Design chamado Pixel Show, para quem quiser conhecer mais, segue o link do evento: http://pixelshow.com.br/sp/

Na feira do evento, estava tendo living paint com grafitteiros e artistas.

Ela começou a conversar com um grafitteiro chamado Ronaldo, mas no grafitti ele assina como Image. O que chamou atenção foi a arte dele que vocês podem ver nas fotos. E ela fez algumas perguntas para ele sobre o grafite e sobre o Saci Urbano, como ele já grafitou no ABC, conhece a arte e dá seu parecer sobre isso também.

Seguem as fotos e o vídeo da entrevista com ele:

Falando com o artista

Depois das tentativas de contato por email, o artista do Saci Urbano nos encontrou para um bate papo.

No dia 6 de novembro às 18h30 na Estação Prefeito Saladino em Santo André. Acabou que não marcamos com ele em qual saída ele estaria, então nos dividimos para que por onde ele chegasse pudessemos encontrá-lo. Foi simpático, e bem atencioso às nossas considerações e nossas perguntas.

A entrevista foi bem em clima de bate-papo mesmo, quando nos estendíamos em algum assunto, logo retornavamos o foco para as perguntas para que o objetivo principal das impressões e de compreender o artista fossem alcançados.

Acreditamos que os principais pontos de saber como é a vida dele, qual sua visão de mundo, sua infância, seu crescimento, os desenhos que assistia, as histórias de criança, isso reflete no que ele é, em sua identidade, na formação da sua cultura e no que ele deseja expressar às pessoas com sua arte.

Percebemos que toda comunicação que ele faz e suas críticas estão ligadas ao que ele é e acredita mesmo. A personagem é sua autonomia, sua liberdade de expressão, de dizer a sociedade, dentro do nosso cotidiano o que se passa com a gente mesmo, os problemas da nossa cidade, as dificuldades de nós homens, uns com os outros.

Como o caderno de campo é bem detalhado, tentaremos dar uma abordagem aqui referente às respostas dele mesmo.

Obs. As respostas estão em terceira pessoa, a pedido do artista mesmo, para não haver citações diretas que possam o expor demais.

E lá vem as respostas…

1. Como era sua infância? O que você assistia de desenho?

Nasceu na Bahia, chorava muito, veio para cá com 3 anos. Lembra do seu avô, vivia meio num povoado, não tinha luz. Viver onde não tem desenvolvimento, marca de forma lúdica o ser enquanto criança e fica. Como as lendas e folclores que escutava e permanecem com ele. Veio da Grande São Paulo migrando pro ABC e região. Transição de SP para Mauá. Fixurado no Jaspion, pedia para a mãe comprar figurinhas. Quando tinha 7 anos e morava em Ribeirão Pires, se destacou em um desenho sobre folclore, tinha Saci e Iara. Utilizava lápis de cor e canetinha, enquanto as outras crianças utilizavam colagem e guache. Ganhou pela originalidade, o desenho vinha da cabeça dele, da cabeça dele direto pro papel. Ganhou uma bicicleta, desenhava muito, principalmente o Jaspion.

2. Como você começou a gostar de grafitti?

Era muito motivado a desenhar, desde pequeno. Diz que tem uma militância no grafitti, estuda e dá oficina disso. Ele vê o grafitti como protesto. Não tem o grafitti como referência do hip hop, aqueles escritos. Tem o grafitti como manifestação popular. Usar o muro como meio de comunicação com o mundo. Como desenhava muito, sempre se interessou por isso. Seu primeiro grafitti foi no muro da casa de um policial, filho do policial estava no meio da turma, foi autorizado.

3. Pra você como é essa questão de intervenção urbana? O que o grafitti significa pra você, o que ele trouxe pra sua vida?

O grafitti que defende é você se apropriar do meio com algum fim, alguma expressão. A gente paga imposto, tem o direito de intervir no patrimônio público expressando algo.

4. Como você teve essa ideia de intervenção urbana usando uma figura do folclore?

Começou a estudar, pesquisar sobre o folclore do Saci Pererê. Tinha um livro do Monteiro Lobato (de infância). 2008 começou com a arte do Saci Urbano. Só em 2009, testemunhou e postou imagens. Havia a vontade de fazer algo dele, se expressar sobre essa questão da simplicidade na cidade, esse sentimento de interior no meio urbano.

5. Como você insere seus temas nas críticas? Como escolhe o que criticar?

Quando escolhe alguma crítica ou porque fazer determinado tema, diz que tem uma sensibilidade na comunicação social, pois se formou em comunicação. A escolha dos temas ele deixa ser o mais espontâneo possível. Ele espera para ver onde a personagem vai aparecer. Ele passa pelos lugares e em alguns identifica um bom meio para fazer a arte. Fica essa coisa meio lúdica mesmo, ele olha o local e imagina o Saci ali, marca o lugar e quando volta, tem a ideia e faz a arte.

6. Analisando o blog do Saci Urbano, vemos diversas séries de grafitte, você estipula essa separação ou é natural o surgimento dos temas?

Como a escolha é bem espontânea, essa separação não é proposital. Dependendo do tema, com uma intervenção só, não há como ter a comunicação. É sempre espontâneo, por isso faz diversos deles.

7. Durante a pesquisa, encontramos um vídeo seu, e você fala sobre a repercurssão do Saci Urbano, e sobre o seu anonimato e a questão de se identificar e assinar os grafittes, como você encarava isso antes e como encara agora?

Ele não sabia que caminho ia levar. Tem também a questão profissional, ao procurar emprego e as pessoas vincularem grafitti a um ato ilegal. Ele comenta sobre os vídeos, em um deles, diz que hoje em dia, com celular com câmera, as pessoas aparecem e começam a gravar, mesmo sem pedir, no impulso mesmo. O projeto do Saci Urbano, sempre foi um projeto que ele foi levando paralelamente, mas de tanto fazer, certas vezes esquece que faz. Quer evitar problemas com autoridades, civis ou até mesmo simpatizantes, que por gostar da arte dele, acabam atrapalhando e não deixando que termine a arte rápido. Por mais que a intenção dele seja a arte, a intervenção é ilegal devido às nossas atuais leis. Sobre o vídeo que encontramos, foi um momento de crise, em que ele se encontrava sem trabalho, sem dinheiro. E o jornalista da TV Uol o convenceu que a melhor forma de registrar o trabalho dele, já que não dá para regulamentar dentro dos padrões normais, por ser uma intervenção urbana, era registrar utilizando um meio de comunicação. Ele aceitou e esse vídeo é uma marca até hoje. É contraditório, mas ele tenta manter o anonimato o máximo que pode, ele foi eliminando aos poucos os meios que pudessem o expor demais.

8. O que o Saci representa pra você? Qual a visão da lenda dele, você acabou pesquisando mais sobre esse mito depois das suas intervenções?

Para ele, o Saci é um ser libertário. Mostra essa passagem do meio rural para a “urbanidade”. O Saci Urbano é um filho. É um cuidado que só ele como pai pode ter para com a arte. Nasceu de dentro dele, dentro das ideias dele.

9. O que você acha que sua arte causa nas pessoas?

Ele acredita que as pessoas, em sua maioria, admiram a arte dele, a iniciativa dele ter começado esse projeto. Mas há uma observação, muitas que são próximas, ou até que não o conhecem, falam da possibilidade dele expor fora do país, criar uma marca do Saci Urbano, vender camisetas e isso o frusta, pelas pessoas não entenderem seu ideal, pois o Saci não se vende, não se precifica. Seria como perder a coisa pura do Saci, moleque, solto e livre.

10. Como vê o cenário da cultura? E a cultura popular?

Ele diz que pesquisa folclore e cultura popular. Acha que ela está se perdendo em dois pontos:

1)      Manutenção: ninguém utiliza mais, não há zelo, preocupação;

2)      Documentação: como se documenta isso?

Cultura popular: povo tinha que se virar pra ser feliz. É uma cultura vinculada aos povos mais pobres, escravos. A cultura tinha o papel de cultura e de resistência também. Muitas manifestações culturais são editadas em cima do capital, para que tenham uma imagem boa e elas possam ser vendidas. Cita a música de Itamar Assumpção “Vá cuidar da sua vida”, que fala sobre a questão da capoeira ser maldita e depois os brancos se apropriarem dela também. Frevo era uma maneira de brigar também, e isso é ocultado. Tudo vira festa e alegria. O povo mesmo não tem motivo para isso ainda, com tantos problemas e desigualdades acontecendo. Cada um tinha sua manifestação cultural. Era como uma manutenção cultural mesmo, separada, frevo de uma maneira, capoeira de outro, candomblé de outro. Hoje, junta-se tudo. As pessoas não tem mais identidade. Tudo vira cultura de massa. Junta-se num caldeirão e sirva-se. Dez reais e ganhe sua porção de cultura.

As maiores impressões é de que o artista tem grande bagagem de estudo mesmo da personagem, do folclore e da cultura brasileira, é uma pessoa simples, que tivemos a honra de conhecer e entender a sua maneira de se comunicar com o mundo, que é essa comunicação visual através da sua arte.

O caderno de campo, vamos deixar anexo nesse post para quem quiser compreender melhor a pesquisa.

E perceber que pelo artista ser exatamente a pessoa simples e modesta que é, fará com que a arte dele continue nas ruas e seja da maneira simples, mas objetiva e cheia de significado como é. A identidade e cultura do artista refletem diretamente na arte que ele faz.

Arquivo Caderno de campo entrevista

Dia do Saci

Mesmo com toda a pesquisa rolando, Dia do Saci não podia faltar um post aqui, não é mesmo? Dia 31 de Outubro, dia do Saci e do Halloween, dualidade de culturas e de ideiais das pessoas também. A questão não é criticar e falar mal da cultura estrangeira pelo Halloween e sim, focar na apropriação que fazemos da mesma no nosso país. E essa crítica, o Saci Urbano faz muito bem.

Na foto, é nítida a crítica com relação a essa supervalorização do estrangeiro. Uma bandeira dos EUA com as cores do Brasil, seria essa uma fusão de cultura que faz parte da identidade do brasileiro? “Brasil, mostra a tua cara” o que será que é a cara do brasileiro?

Valendo-se até das ideias de Hobsbawn, a cultura e as ideias podem viajar, ainda mais com a globalização à flor da pele, mas não a bordo de tanques, não sobrepondo a beleza de mitos e folclore característicos daqui, nasceram de nós, das nossas terras de interior. O Saci, menino travesso que vive nas matas, negro e com sua perna só, seu gorro vermelho e seu cachimbo é fruto do imaginário do povo brasileiro.

Graças à criatividade de escritores brasileiros como: Maurício de Souza, Monteiro Lobato e Ziraldo, esse personagem viajou do campo para as grandes metrópoles e até mesmo para o exterior através de suas obras.

O Saci é nosso patrimônio cultural. Mas voltando a questão da crítica sobre Halloween x Saci e valorização da cultura brasileira, hoje em dia, as pessoas tem essa identidade líquida, se identificam e se constroem de diversas formas, com costumes diferentes, muitos importados. Então, atribuir o Halloween ao costume e gosto de muitas pessoas é passível de análise.

Agora, observando o lado da sociedade, a economia em si, o que movimenta mais o mercado: dia 31 do Halloween com muitas fantasias, decoração, comida ou dia 31 do Saci? Ninguém faz festa do Saci, nenhuma criança nas escolas se fantasia de Saci nesse dia, muitas sequer sabem que esse dia é dedicado a ele. Agora você passa esse dia com imagens das abóboras, das bruxas e do “gostosuras ou travessuras”. E então, o que interessa mais ao mercado capitalista, o que vende mais?

Era preferível ver todas as crianças, hoje vestidas a caráter e pedindo doce nas casas do que elas no farol fazendo malabares ou roubando…essa festa tem seu lado errado, mas não devemos levar ao pé da letra.

O Saci Urbano carrega com ele todos esses traços do nosso Saci que vive nas matas do interior e vem para o meio urbano, das desiguldades tanto sociais como raciais, e ele procura lutar contra isso, não quer um espaço que não seja dele, o Halloween tem seu espaço cultural, mas ocupa o espaço da nossa cultura e será que isso é certo?

Pra terminar um versinho:

“Minha vó dizia pra gente cresce sabido, valoriza o que é coisa nossa, a viola e nossa história..
então é isso meu irmão, não deixe as coisas como estão,
não é nosso esse tal de halloween, dia 31, o dia é do Saci!”

Tentativas

Com o tema, há muitas possibilidades de abordagem, então com a orientação da professora, resolvemos focar em entender essa comunicação social entre nós mesmos, integrantes do grupo e do projeto, e ao falar com o artista (que é uma vontade muito grande do grupo) fazer um contraponto de visões. Antes, pensavámos até em entrevistar municípes do ABC, que estivessem próximos a arte e grafittes feitos pelo artista. Mas com a mudança de objetivo, é importante sabermos o que nós pensamos sobre essa arte, o que ela nos traz e nos acrescenta, em nossa identidade urbana e em nossa cultura.

Visto que a nossa maior vontade é conseguir ter um contato com o artista, um dos nossos integrantes: Rogério Munhoz, enviou um email ao próprio artista, através do contato do site, que também está em nossos blogs amigos, como muitos outros blogs que pesquisamos e tratam sobre arte urbana e sobre o Saci Urbano. Além dos blogs dos projetos de nossa sala, que também são da matéria de Identidade e Cultura.

E para sermos mais objetivos, aqui segue o email:

On Fri, 21 Sep 2012 13:45:44 -0300, Rogério Munhoz wrote:

Ola… Quanto a isso, fique tranquilo. o intuito do grupo da disciplina Identidade e Cultura eh a de fazer um recorre cultural de ícones sociais. Não será necessário que vc se identifique e, dentro do tema, a busca eh a de entender qual eh o foco (vi que vc crítica bastante o sistema neoliberal e os falsos pilares sociais). nesta semana, o grupo se reunirá e todos os passos só serão realizados com seu consentimento. Grato pela atenção, Rogerio.

Em 21/09/2012 04:12, “Saci Urbano oficial”
Olá, Rogério! Agradeço a sua participação neste trabalho. Bom, desde que o artigo não tenha propósito comercial-capital, me ponho a disposição para ajudá-lo, disponibilizando o contéudo deste sítio para a sua atividade. Só não poderei ajudá-lo me espondo com entrevista para falar desse trabalho, pois foi uma postura adotada nesse ano de 2012, e que vale para a imprensa também. saudações,

Como visto, ele toma uma postura discreta, devido ao ano de eleições e da arte dele mostrar o Saci relacionado com críticas políticas, o artista tem essa atitude de não se expor. Entendível pelo grupo, mas ainda sim, mesmo que não haja filmagens, nem vídeos, o grupo ainda quer e procura contatos com o artista. Nem que seja só para um bate papo ou ouvir tudo que ele pode nos dizer sobre o Saci, sobre suas ideias e principalmente sobre a arte que é o que ele utiliza para comunicar.
A imagem do post é uma das seções do Saci, eu prometo, que aborda esse ano eleitoral, segue o link do site do próprio artista que mostra um pouco mais dessa mensagem/arte política.

“Projeto Saci Urbano”

Na matéria de Identidade e Cultura, teríamos que escolher um recorte que envolvesse o tema para pesquisar e adentrar no cotidiano do tema escolhido. Escolhemos as intervenções urbanas, dentro delas, o grafitte, e uma arte que chama bastante atenção na nossa região do ABC, que é o Saci Urbano. Um grupo com 5 pessoas: Diana Mendes, Everson José de Souza, Jorge Toledo, Paula Garcia e Rogério Munhoz, seremos os autores de todo o processo de ir por trás da arte do Saci e ver o que essa comunicação visual dele traz pra nós e pra nossa sociedade. Montamos um objetivo e uma justificativa de escolha do projeto que foi retificada, com auxílio da professora Ana Maria Dietrich, para melhor abordagem do trabalho de campo. E aqui segue, o início de todo nosso trabalho:

Objetivo:

O projeto se baseia em apurar, de forma observativa e descritiva, os impactos que as intervenções urbanas do grafitte, tomando como recorte a arte “É o Saci Urbano”, trazem para o meio social. O principal objetivo é buscar conhecer a comunicação visual por trás do grafitte, abordar a linguagem visual, as figuras de linguagem presentes na arte e analisar o contraponto colocado pelo artista entre a mensagem e a arte.

Justificativa:

A importância do estudo da linguagem expressa pelo grafitte se dá pela manifestação popular cada vez mais crescente, porque compreender essa linguagem visual, é conhecer parte do nosso cotidiano e a inserção da figura do Saci como representação da linguagem popular, do meio rural para o meio urbano é marcante na formação da nossa cultura.

Bibliografia:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-33002011000300005&lang=pt

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1678-53202007000100007&lang=pt

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59701999000200014&lang=pt

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-15742006000200009&lang=pt

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65642008000300002&lng=pt&nrm=iso

http://xeniaantunes.com/2011/06/30/grafites-e-pichacoes/

http://www.ufrb.edu.br/ebecult/wp-content/uploads/2012/04/Linguagens-visuais-dos-pichadores-e-grafiteiros-em-Alagoinhas-BA.pdf

http://misturaurbana.com/2011/02/e-o-saci-urbano/

http://churisco.wordpress.com/2012/01/31/e-o-saci-urbano/

http://eosaciurbano.art.br/eo/

http://www.fau.usp.br/fau/ensino/docentes/deptecnologia/v_pallamin/arte_urbana_livro.pdf

http://www.brasilescola.com/artes/grafite.htm

http://artimpacto.wordpress.com/a-historia-do-grafite/

http://besidecolors.com/

http://galeriaurbana.com.pt/
http://www.aarteurbana.com.br/

http://www.brasilescola.com/folclore/saci-perere.htm

http://www.infoescola.com/folclore/a-lenda-do-saci-perere/

http://www.terrabrasileira.net/folclore/regioes/3contos/saci.html).

http://pt.wikipedia.org/wiki/Saci

http://www.suapesquisa.com/musicacultura/saci-perere.htm

http://www3.uma.pt/dmfe/DONDIS_Sintaxe_da_Linguagem_Visual.pdf

http://www.latinoamericano.jor.br/aulas/comunic_lingua/aula_3.pdf

http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/FAEC-85ZHTT/1/1000000329.pdf

http://issuu.com/rayzamucuna/docs/teoriadalinguagemvisual

http://www.slideshare.net/guest1c7f7f/elementos-da-linguagem-visual-presentation

https://docs.google.com/document/edit?id=11Mmmp89R_9BhdOnS2ImIoUu23EGoeal_Joo9JytRwbY&hl=pt_BR&authkey=CLvWsrwE&pli=1

http://www.intervencaourbana.org/

Folclore Brasileiro Ilustrado: Lenda do Saci Pererê – © Copyright 2000-2007 – http://www.sitededicas.com.br

DONDIS, Donis A., Sintaxe da Linguagem Visual, Martins Editora.
AURÉLIO, Buarque de Holanda Ferreira. Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5.0. Coordenação e edição: Margarida dos Anjos e Marina Baird Ferreira. Brasil: Editora positivo, 2004.
Enciclopédia: Nova pesquisa e saber. Português e folclore. São Paulo: Nova editora ltda.
LOBATO, Monteiro. O Saci. São Paulo: Editora Brasiliense S.A. sem/data.
MARTOS, Cloder Rivas, 1942. Viver e aprender português, 2ª série. Cloder Rivas Martos, Joana D’Arque Gonçalves de Aguiar. 7. ed. Reform. São Paulo: Saraiva, 2001.
MEGALE, Nilza B. Folclore Brasileiro. Petrópolis: Editora Vozes, 1999.
PEIXOTO, Nelson B., 2002, Intervenções Urbanas – Arte/Cidade

ALMEIDA, Maria Celeste de; WANNER, Paisagens sígnicas: uma reflexão sobre as artes visuais contemporâneas, Editora EDUFBA.

SPINELLI, João J., Alex Vallauri – Graffiti – Fundamentos Estéticos do Pioneiro do Grafite no Brasil, Editora BEI.

MACIEIRA, Cássia e RIBEIRO, Juliana Pontes, Na Rua. Pós-Grafite, Moda e Vestígios, 2007, Editora Faculdade de Engenharia e Arquitetura da Fumec.
Filme Basquiat, 1996, EUA.

Obs. Essa bibliografia é como um levantamento bibliográfico de tudo que poderemos saber e abordar sobre os principais conceitos que envolvem o tema como: arte urbana, graffite, saci e folclore.

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